terça-feira , 23 janeiro 2018
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Emoção ou agitação?

Deixar ir embora

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Quando pequena, aprendi que sentimento era um substantivo. Mas não. É um verbo. Aprendi que eles acontecem “à mim”, em vez de ser algo produzido “por mim”. Ainda, aprendi, naquela altura, que os sentimentos eram coisas a serem buscadas e conquistadas, em vez de algo que já me pertencia.

Lembro-me da primeira vez que fui a um circo. Vi os palhaços, pulei, dancei, simplesmente enlouqueci quando me chamaram no picadeiro. E quando cheguei em casa, minha vó perguntou: “tu ficou feliz?”. Eu olhei pra ela e respondi: “sim, muito!”. Ela me disse: “isso não é felicidade, tu estás agitada. Felicidade é outra coisa”. Fiquei meio intrigada, mas hoje, na terapia, me recordei perfeitamente desse diálogo, onde Dona Maria me ensinou duas lições fatais e que só pude entender agora, na vida adulta:

Primeira: agitação não é sinônimo de felicidade. Não, não é. A agitação é, por exemplo, o que ocorre com a água numa chaleira, quando você vai ferver pra fazer um chimarrão: as moléculas ficam agitadas. Quando você está emocionado, fica agitado, igual a uma chaleira em ebulição. Mas agitação não é felicidade. Agitação é agitação.

A segunda lição fatal foi a de que, na vida, os sentimentos devem vir de dentro da gente. E não por estímulos externos.

Ocorre que por muitas vezes consideramos que os sentimentos devem surgir de fora da gente. E o que fazemos? Passamos a vida numa constante busca por algum tipo de estímulo. Procuramos por algo fora da gente. Aquilo que pensamos ser capaz de nos proporcionar o sentimento de felicidade.

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A verdade é que a pessoa que fica sempre em busca de estímulos externos está fadada à dependência e, posteriormente, ao vício (não necessariamente ao fracasso). Isso explica porque a maioria de nós é viciada em algo, em alguém ou em algum lugar. É impossível encontrar a paz, o amor e a felicidade verdadeiros fora da gente. É sério, não tem como. Não é clichê. Mas insistimos em basear todo nosso sistema de crença nessa ilusão.

E a emoção? Ah… A emoção! Sempre nos descontrolando. Ou controlando. Ta. Controlando até demais às vezes. Ou descontrolando até demais. Como é difícil assumir esse comando… Como é difícil encontrar esse termômetro!

Acredito que o amor e a felicidade não são emoções. Penso que são estados do nosso ser. Bastante reais. E dinâmicos. Não são agitações ou estímulos. É aquilo que somos capazes de transmitir. Mas só conseguimos fazer isso quando estamos livres do apego. Quando estamos em paz. Aliás, repare que, quando ficamos em paz, não há agitação. Não há qualquer emoção. Existe apenas o movimento sereno da intenção rumo à ação de doar, livre de expectativas… Tão bom… Tão desejável… Tão ideal…

Porém, a impressão é de que não deixamos de sentir emoções nunca. A vida é tão corrida… Vivemos tão viciados em nossa agitação, que fica difícil imaginar – que dirá sentir – que uma vida sem emoções é mais natural e verdadeira do que uma vida como uma montanha russa emocional.

Acho que hoje acordei emocionalmente agitada. Ou agitadamente emocionada. Não sei. Hoje eu tô essa mistura aí. E tem muita gente comigo nessa.

Carol Elisa Silva

(Propaganda do Google)

Obs.: Infelizmente, muitas vezes, não conseguimos confirmar a real autoria de um texto, por isso, se você souber o nome do criador deste texto, por favor, envie um e-mail para: [email protected] pois fazemos questão de dar os créditos ao autor deste texto maravilhoso…

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